• TVT
  • RBA
  • Rádio CUT
MENU

Ceará - Grito dos Excluídos 2018 alerta: sociedade é violenta porque é desigual

Manifestação popular chega à sua 24ª edição e reúne centenas de pessoas em Fortaleza nesta quinta-feira (6/9). Centro da cidade foi palco de acolhimento, diálogo com a população e alertas sobre Eleições

Publicado: 07 Setembro, 2018 - 18h17 | Última modificação: 07 Setembro, 2018 - 18h59

Escrito por: Raquel Chaves/ Assessoria de Comunicação da CUT-CE

notice

“Traga a bandeira de luta, deixa a bandeira passar! Essa é a nossa conduta, vamos unir pra mudar!”. No refrão que puxou o cântico oficial do Grito das Excluídas e dos Excluídos 2018 em Fortaleza, a sinalização de que a 24ª edição da caminhada seria como sempre: plural, coletiva e acolhedora. E foi assim que centenas de pessoas seguiram pelas ruas do Centro na tarde desta quinta-feira (6/9), denunciando a estrutura excludente do sistema neoliberal. Com o mote “A vida em primeiro lugar”, a exemplo de todas as edições anteriores, o lema deste ano foi Desigualdade gera violência: basta de privilégio!”. Os participantes concentraram-se na Praça dos Mártires (Passeio Público) e partiram em caminhada que se encerrou no início da noite, na Praça do Ferreira.

Criado em 1995, o Grito é um conjunto de ações articuladas pelos movimentos sociais em todo o Brasil e, tradicionalmente, ocorre no feriado da Independência do Brasil – 7 de setembro. Devido à conjuntura política acirrada e polarizada no período pré-eleitoral, a opção da organização colegiada foi antecipar em um dia a edição deste ano na capital cearense, trazendo o movimento para o Centro, dialogando com a população em geral e a classe trabalhadora. Em 2017, a caminhada ocorreu do Bairro Pirambu à Barra do Ceará. “É preciso que fiquemos atentos e unidos nesse momento difícil pelo qual passa nosso país. Vamos seguir juntos na defesa de pautas que nos são tão caras. Levantem suas bandeiras de luta e vamos seguir juntos e juntas!”, convidou Isabel Forte, assessora técnica da Fundação Cáritas e uma das organizadoras da articulação de pastorais.

Raquel Chaves/CUT-CERaquel Chaves/CUT-CE


Trabalho também é direito!

Ecumênico e apartidário, o Grito dos Excluídos ocorre anualmente em várias cidades do país, articulado por movimentos e pastorais sociais, apoiado pelo movimento sindical e outras entidades. “Já somos quase 14 milhões de desempregados no governo golpista de Michel Temer. A todo custo, ele nos empurrar reformas que retiram direitos da classe trabalhadora e precariza todas as categorias de trabalho do país”, disse o presidente da Central Única dos Trabalhadores no Ceará (CUT-CE), Wil Pereira, em uma das três paradas organizadas durante a caminhada para diálogo com os participantes e a população.

O alerta foi feito pelo dirigente na Rua 24 de Maio, em frente à sede do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), na primeira parada da caminhada. Wil Pereira enfatizou, ainda, a importância do voto consciente nas eleições de outubro próximo: “É fundamental que demos atenção a elas. Não podemos eleger golpistas com histórico de votos contra a classe trabalhadora nesse processo abusivo e cruel de retirada de direitos”. 


Espaço de fala e de escuta

Em entrevista ao Portal da CUT, a presidenta estadual da Rede de Catadores e Catadoras do Ceará, Lílian Teixeira, enfatizou a união das diversas bandeiras de luta ali presentes: “Temos que ocupar os espaços públicos trazendo todo um momento de fala e de escuta que sempre nos é negado. Aqui, estão reunidas hoje categorias que estão no mesmo panorama. Sentimos as dores coletivas, porque todos estamos inseridos nesse contexto de negação e de exclusão”. Lílian reforçou estar ali também para cumprir seu papel de cidadã da periferia, mulher e catadora. “No contexto político que vivemos hoje, mais do que nunca isso é necessário. A gente vem somar a luta com todos os nossos pares”, disse.

Também ao Portal da CUT, Eliane Almeida explicou que o cenário atual é também de denúncia. “O Grito (dos Excluídos) tem esse papel também, denunciando o que está acontecendo nesse estado brasileiro num momento de tanta barbárie”. Eliane, que integra a coordenação estadual do Movimento das Trabalhadoras e dos Trabalhadores por Direitos (MTD-Ceará), mencionou o “quadro assustador” da população em situação de rua em Fortaleza e a falta de perspectivas da classe trabalhadora e da juventude. De acordo com ela, são consequências também do golpe parlamentar em curso, iniciado em 2016 com o impeachment da presidenta eleita Dilma Rousseff.

Raquel Chaves/CUT-CERaquel Chaves/CUT-CE


Paulo Freire e os Círculos de Cultura

Iniciados pela Pedagogia do educador Paulo Freire na década de 1960, os Círculos de Cultura funcionaram como ferramenta que mobilizou os participantes durante a concentração para a caminhada. No Passeio Público, desde o início da tarde, foram formados seis Círculos, num espaço dinâmico, de interação e acolhimento. A proposta era, através da formação de círculos, estimular a conversa sobre temáticas que envolvem as bandeiras de luta do Grito.

Cada Círculo pautou temas de discussão intensa na agenda dos movimentos que compõem o Grito dos Excluídos: extermínio de adolescentes e jovens e do sistema socioeducativo; violência contra as mulheres e o feminicídio; contrarreforma da Previdência, privatização do Sistema Único de Saúde (SUS), e Assistência Social; Educação e Refúgio; comunidades tradicionais (pescadores, agricultores familiares, indígenas, ciganos, povo dos terreiros e quilombolas); e, por último, o Círculo da democratização da Comunicação e participação política.

Também estiveram presentes no Grito dos Excluídos 2018 em Fortaleza, Pastorais como de Pescadores, Carcerária, Criança, Migrante, Povo de Rua e Idosos; Cáritas, Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), Levante Popular da Juventude, Movimentos dos Trabalhadores/as Sem Terra (MST), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Ouvidoria da Defensoria Pública Estadual, Fórum Cearense de Mulheres (FCM), Movimento Cada Vida Importa, Conselho Indigenista Missionário e outros. Os participantes também declararam apoio ao direito do ex-presidente Lula ser candidato e denunciaram mais uma vez sua prisão política.

Thainá Duete/CUT-CEThainá Duete/CUT-CE 

Confira os lemas dos anos anteriores: (*)

1995 – “A Vida em primeiro lugar”

1996 – “Trabalho e Terra para viver”

1997 – “Queremos justiça e dignidade”

1998 – “Aqui é o meu país”

1999 – “Brasil: um filho teu não foge à luta”

2000 – “Progresso e Vida Pátria sem Dívida$”

2001 – “Por amor a essa Pátria Brasil”

2002 – “Soberania não se negocia”

2003 – “Tirem as mãos… o Brasil é nosso chão”

2004 – “Brasil: Mudança pra valer, o povo faz acontecer”

2005 – “Brasil em nossas mãos a mudança”

2006 – “Brasil: na força da indignação, sementes de transformação”

2007 – “Isto não Vale: Queremos Participação no Destino da Nação”

2008 – “Vida em primeiro lugar: Direitos e Participação Popular”

2009 – “Vida em primeiro lugar: A força da transformação está na organização popular”

2010 – “Vida em primeiro lugar: “Onde estão nossos Direitos? Vamos às ruas para construir o projeto popular”

2011 – “Pela vida grita a Terra… Por direitos, todos nós!” 

2012 – “Queremos um Estado a Serviço da Nação, que garanta direitos a toda população”

2013 – “Juventude que ousa lutar constrói projeto popular”

2014 – “Ocupar ruas e praças por liberdade e direitos”

2015 – “Que País é este, que mata gente, que a mídia mente e nos consome”

2016 – “Este Sistema é insuportável: Exclui, degrada, mata!” 

2017 – “Por direitos e Democracia, a luta é todo dia”

(*) Fonte: www.gritodosexcluidos.org/historia/

carregando