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Encontro Estadual de Mulheres CUTistas debate participação política, violência e SUS

O encontro foi realizado nessa quarta-feira (14/10), numa organização da Secretaria da Mulher Trabalhadora da CUT-CE

Publicado: 16 Outubro, 2020 - 11h29

Escrito por: Redação CUT

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“Nós mulheres, para estarmos nos espaços de poder, precisamos o tempo todo bater os peitos na mesa”, afirmou a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT Brasil, Juneia Batista, resumindo a constante luta de 51% da população brasileira por representação e presença efetiva nos espaços decisórios. A fala da dirigente nacional abriu o Encontro Estadual de Mulheres CUTistas do Ceará, realizado em ambiente virtual, nessa quarta-feira (14/10), numa organização da Secretaria da Mulher Trabalhadora da CUT-CE. 

Batista falou sobre “A mulher na política e o contexto de violência”, destacando que a pandemia de Covid-19 tem afetado a população de metade da pirâmide social para baixo, ou seja, principalmente as mulheres. As estatísticas comprovam sua afirmação: segundo  estudo da Famivita, 35% das brasileiras perderam empregos durante a pandemia, incluindo as trabalhadoras informais. Entre as mães com filhos pequenos, o percentual sobe para 39% – outras 52% perderam renda.

Os dados oficiais também confirmam o efeito devastador da pandemia sobre as mulheres. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE, sete milhões de mulheres abandonaram o mercado de trabalho na última quinzena de março, quando começou o isolamento social nas principais cidades do país. São dois milhões a mais do que o número de homens na mesma situação. Enquanto as mulheres estão numa taxa de desemprego de 14% os homens estão em 12%.

No contexto da quarta revolução industrial, da pandemia de Covid-19 e do atual governo brasileiro – que destrói os avanços conquistados nas gestões petistas -, Batista, que é integrante do Comitê de Mulheres da ISP, destacou que “as mulheres vivem todo tipo de violência”, além da física. Mencionou desde a violência doméstica – que também tem aumentado durante a quarentena -, passando por assédios nos locais de trabalho e pela falta de acesso aos espaços de poder.

“As candidaturas femininas, com cota de 30% obrigadas por lei, disputam o fundo eleitoral com os homens ou são chamadas apenas para cumprir a obrigação legal. Isso tem que acabar”, disse Batista. “Nossos partidos precisam ouvir mais as mulheres”, reforçou, acrescentando que fazer disputa pela pauta das mulheres dentro dos sindicatos e dos partidos, sendo maioria na sociedade, é “um contexto de violência muito grande”.

“A gente tem que provar o tempo todo que tem competência para estar à frente de uma Câmara Municipal, de uma Prefeitura, para ser deputada estadual, governadora, deputada federal, senadora e presidenta da República”, comentou. Juneia Batista acrescentou que é preciso organização e unidade das mulheres trabalhadoras para garantirem que as pautas feministas esteja dentro da CUT e dos partidos políticos nas eleições de 2020.

Defesa do SUS

A coordenadora do Movimento Outubro Rosa no Ceará, Valéria Mendonça, lembrou que, em época de eleição, diversas candidaturas afirmam que defendem a saúde, mas muitas sequer vão saber qual o papel da municipalidade na política pública relativa a essa área. A diretora de Diversidade do Mova-se falou sobre “Saúde da Mulher e Defesa do SUS”.

Segundo Mendonça, os adoecimentos por câncer foram tragicamente impactados nessa pandemia. “Houve transtorno tanto em relação ao acesso (a exames) quanto terapêutico. 80% das pessoas deixaram de fazer mamografias e 50% adiaram cirurgias em função da Covid-19”, comentou.

Falando sobre o Movimento Outubro Rosa, a dirigente do Mova-se destacou que ele está fortemente ligado à defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), e que envolve três pilares: estímulo ao autocuidado, participação popular e controle social; garantia de direitos da saúde da mulher, com ênfase no câncer de mama e de colo de útero; e atenção com a saúde das trabalhadoras e trabalhadores.

“Para além de distribuição de fitinhas, camisas, iluminação rosa e outras iniciativas, a gente quer mesmo é impactar nas políticas públicas. A gente quer é que os mamógrafos funcionem, que as radioterapias estejam acessíveis”, frisou.

Com informações do Sindjorce