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"Eu nunca imaginei que a gente pudesse retroceder como retrocedemos", afirma Lula

No último sábado (21/8) o ex-presidente Lula se reuniu com movimentos populares e profissionais da cultura no Ceará

Publicado: 24 Agosto, 2021 - 08h41 | Última modificação: 25 Agosto, 2021 - 08h51

Escrito por: Brasil de Fato Ceará, Sintsef e Fetamce

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O encontro teve início com um ritual de cura do povo indígena Jenipapo-kanindé realizado pela Cacique Pequena, a primeira mulher cacique do Brasil. Logo em seguida, houve apresentações da Cultura popular cearense como capoeira, coco, maracatu, entre outros. Os mestres da cultura cearense também se fizeram presentes no encontro e entregaram lembranças ao Lula. O cantor e compositor cearense, Ednardo subiu ao palco e comparou a prisão e soltura de Lula com um de seus maiores sucessos "Pavão Mysterioso". E finalizou dizendo que assim como uma fênix, Lula está de volta.

Lula apontou questões sobre cultura, direitos dos trabalhadores, pandemia, entre outros. "Agora, o Bolsonaro quer destruir o serviço público para poder colocar quem ele quiser. Olha, se sem destruir ele já colocou mais de 6.500 militares para ocupar cargos públicos, dobrando os salários dos militares, porque o 'cara' recebe como militar aposentado e recebe trabalhando no governo. Se ele, sem mudar o estatuto já fez isso, imagina o que ele vai fazer se ele conseguir mexer na lei do servidor público".

Os movimentos sindicais e sociais também tiveram um momento de fala. Wil Pereira, presidente dá CUT Ceará disse a Lula que é fundamental retomar o emprego e acabar, ou diminuir a fome da população brasileira. Além disso, ele também lembrou sobre a importância de olhar para os profissionais informais. Ana Cristina, representante do Sindiute afirmou que a educação no Brasil está agonizando e pediu mais investimentos na educação pública.

Mateus DantasMateus Dantas
Lula recebe boné e colete da CUT Ceará das mãos de Wil Pereira

Antônia Keila, dirigente do MST falou sobre a necessidade de romper a política genocida que o país está vivenciando e finalizou "Conte com nossa força e resistência". Também foram entregues produtos da reforma agrária.

Já os profissionais da cultura falaram sobre a importância de manter uma política de cultura no país e, principalmente, no estado. Fabiano dos Santos Piúba, Secretário de Cultura do Ceará afirmou em sua fala que "queremos o MINC de volta". O ator Silvero Pereira disse que "a esperança está nas eleições".

"É bom estar no Ceará, ver os artistas, a militância, a arte nordestina", afirmou Gleisi Hoffmann, deputada federal e presidenta do PT e lembrou a as visitas do Lula aos outros estados do Nordeste. Sobre as acusações contra Lula, sua prisão e a comprovação da sua inocência nos casos, Gleici disse "Agora é Lula livre, Lula inocente, Lula com a gente".

O governador do estado do Ceará, Camilo Santana afirmou que ficou emocionado com o encontro de hoje e exaltou os mestres da cultura e suas artes. Logo após a fala do governador, o encontro foi encerrado com o ex-presidente Lula que falou um pouco sobre a volta do Brasil ao mapa da fome, e lembrou aos participantes que o país tinha saído desse mapa ainda em seu mandato. "Depois da nossa experiência no governo, eu nunca imaginei que a gente pudesse retroceder como retrocedemos. Eu quero dizer pra vocês que se tem um Brasileiro hoje que custa a acreditar o que aconteceu no Brasil, sou eu. Porque nós apresentamos como candidato um cara que foi indubitavelmente o melhor ministro da educação da história desse país, o companheiro Fernando Haddad. Nós apresentamos a inteligência que foi derrotado pela ignorância".

Campanha contra a reforma Administrativa

Na oportunidade, representantes da Federação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal do Estado do Ceará (Fetamce), do Sindicato dos Trabalhadores No Serviço Público Estadual do Ceará (MOVA-SE), do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal do Ceará (SINTSEF-CE), Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação do Ceará (SINDIUTE) e Sindicato dos Servidores e Empregados Públicos do Município de Fortaleza (Sindifort) apresentaram a Lula as demandas da Campanha “Cancela a Reforma”, que defende a rejeição completa da Reforma Administrativa, prevista na Proposta de Emenda à Constituição (PEC 32). Confira a carta no final da matéria.*

“O conjunto do movimento sindical, a começar pelas entidades dos servidores públicos das três esferas, em particular da CUT, está plenamente engajado na luta para que essa reforma seja rejeitada em sua plenitude e pedimos seu apoio e engajamento para alcançarmos esse objetivo”, diz documento produzido pelo Fórum Cearense dos Servidores Públicos das Três Esferas.

Participaram do momento, a presidente da Fetamce, Enedina Soares, a vice-presidente do Sindifort, Ana Miranda, o coordenador do Mova-se, Pádua Araújo, o coordenador do Sintsef-CE, Roberto Luque, a presidente do Sindiute, Ana Cristina, e o secretário de promoção da Igualdade Racial do Sindicato dos Servidores Municipais de Itapipoca (Sindsep), Régis Alves.

Além da mensagem contra a PEC 32, durante as falas, representações sindicais defenderam a necessidade de revogação da Reforma Trabalhista de 2017, da Emenda Constitucional Nº 95 (teto de gastos), da Reforma da Previdência de 2019, da Medida Provisória nº 1.045 e de outras leis e normativas que determinam e/ou facilitam as privatizações, em particular da Eletrobrás, dos Correios e da Conab.

Mateus DantasMateus Dantas

Lideranças sindicais

O encontro também contou com a presença de dirigentes e do presidente da Fetraece, Raimundo Martins, do presidente da Fetrace, Francimar Silva, do presidente do SEC Fortaleza, Sebastião Costa, do presidente do Sindicato dos Bancários, Carlos Eduardo, do presidente do Sindipetro, Iran Gonçalves, do presidente do Sindmetal, Fernando Chaves, além de dirigentes do Sindeletro e demais entidades sindicais presentes.

Mateus DantasMateus Dantas

Conheça a Carta dos servidores:

 

Caro companheiro Lula,

Todos nós temos consciência de que o golpe de 2016 contra a Presidente Dilma tinha como objetivo desfechar uma ofensiva violenta contra os direitos dos trabalhadores e entregar os recursos naturais do Brasil ao capital financeiro internacional.

Um novo governo, que tenha compromisso com o povo trabalhador e com a defesa da soberania nacional, deve se engajar na revogação de todas as medidas antinacionais e antipopulares que foram adotadas desde então, nos governos ilegítimos de Temer e Bolsonaro.

Dentre elas destacamos a necessidade de comprometer-se com a revogação da seguinte legislação:

Reforma Trabalhista: Lei nº 13.467, de 13 de julho de 2017.

Emenda Constitucional nº 95, de 15 de dezembro de 2016 (teto de gastos);

Reforma da Previdência: Emenda Constitucional nº 103, de 12 de novembro de 2019.

Leis e normativos que determinam e/ou facilitam as privatizações, em particular da Eletrobrás, dos Correios e da Conab;

Medida Provisória nº 1.045, de 27 de abril de 2021.

Há ainda o grave ataque contido na PEC 32/20, da reforma administrativa, que está em tramitação no Congresso. O conjunto do movimento sindical, a começar pelas entidades dos servidores públicos das três esferas, em particular da CUT, está plenamente engajado na luta para que essa reforma seja rejeitada em sua plenitude e pedimos seu apoio e engajamento para alcançarmos esse objetivo.

Caso a PEC 32 seja aprovada o compromisso com sua revogação deve ser assumido firmemente, em defesa das políticas púbicas, dos servidores e da população trabalhadora que necessita de mais e melhores serviços públicos.

 

Fortaleza, 21 de agosto de 2021.

Central Única dos Trabalhadores – CUT

Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal¬ – CONDSEF

Federação Nacional dos Servidores e Empregados Públicos Estaduais e do Distrito Federal – FENASEFE

Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal – CONFETAM

Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE

Confederação Nacional dos Trabalhadores na Seguridade Social – CNTSS

Sindicato dos Docentes das Universidades Federais do Estado do Ceará – ADUFC Sindicato

 

Matéria completa do Brasil de Fato Ceará com informações so Sintsef e da Fetamce.