FORTALEZA - 22º Grito dos Excluídos leva milhares de pessoas ao Jangurussu
Na manhã deste feriado de 7 de setembro, manifestantes convocados pela CNBB, Arquidiocese de Fortaleza e pastorais sociais somaram forças a movimentos sociais, CUT-CE e sindicatos filiados
Publicado: 07 Setembro, 2016 - 15h57 | Última modificação: 04 Setembro, 2018 - 15h28
Escrito por: Raquel Chaves/CUT-CE
Milhares de pessoas percorreram ruas e avenidas do bairro Jangurussu, em Fortaleza-CE, durante toda a manhã desta quarta-feira (7/9), participando do 22º Grito dos Excluídos. O tradicional movimento foi convocado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Arquidiocese de Fortaleza e suas pastorais sociais. A CUT-CE e sindicatos filiados somaram-se à luta da Frente Brasil Popular, junto com movimentos sociais para dar força à campanha, que este ano tem como tema: VIDA EM PRIMEIRO LUGAR e lema: ESTE SISTEMA É INSUPORTÁVEL: EXCLUI, DEGRADA, MATA! O protesto também reuniu diferentes organizações contrárias à retirada de direitos sociais e trabalhistas e pediu #ForaTemer!
O presidente da CUT-CE, Wil Pereira, falou em nome da Frente Brasil Popular - Ceará e relembrou que há um ano o movimento se formava em nível estadual (29 de agosto de 2015): "Já somamos um ano de luta e resistência, com cerca de 60 movimentos unidos, do campo e da cidade, envolvendo homens e mulheres combativos/as e guerreiros/as. O Ceará só tem um lado, e é o da classe trabalhadora. Estamos contra o golpe e contra Michel Temer!".
A concentração para o ato teve início às 8 horas, em frente à Escola Delma Hermínia, na Av. Perimetral, onde houve a tradicional acolhida com animação, místicas, cirandas e falas sobre o Grito dos Excluídos e a história da comunidade do bairro Jangurussu. Ao longo do percurso, os manifestantes fizeram três paradas, cada uma abordando temas específicos. A primeira deu-se após caminhada por dentro da comunidade Santa Luzia, abordando a exclusão dos trabalhadores e trabalhadoras que reciclam o lixo, dos povos indígenas e da mulher. Falas de representantes de catadores e de outros setores foram contempladas.
A segunda parada foi após a sequência da caminhada até o Cuca Jangurussu, quando o Grito dos Excluídos abordou o extermínio da juventude. Já a terceira e última deu-se na chegada ao Ecoponto local, momento em que foi abordado o tema “profetismo e sinais de vida”. No local, também foram distribuídas mudas de plantas medicinais (Pastoral da Saúde), além de flores, sementes, pães e frutas.
Abaixo-assinado: água e saúde preventiva
Entre as duas questões mais importantes apresentadas no Grito dos Excluídos do Ceará este ano, esteve o colapso das águas no Estado. “É menos de 15% do que deveria ser. As grandes indústrias utilizam entre 60% e 70% de nossas águas, enquanto, ao povo, restam as sobras. Nós reivindicamos que essa água seja distribuída com maior equidade”, explica o padre Luís Sartorel, um dos organizadores do Grito este ano e assessor arquidiocesano das pastorais sociais de Fortaleza.
A segunda questão levantada pela manifestação diz respeito, segundo Sartorel, à saúde preventiva. “Essa é uma questão muito séria”, diz o pároco, acrescentando que mais da metade da população da Capital não tem rede de esgoto ou possui esgoto insuficiente. “Faz-se muito pelo trânsito, por exemplo, mas não se faz muito pela saúde do povo. Uma coisa tão lógica e tão básica como saneamento e acesso à água potável são esquecidos. As autoridades competentes ainda não se dão conta disso”, diz Luís Satorel. Deste modo, o 22º Grito dos Excluídos foi finalizado com a elaboração de um abaixo-assinado abordando a importância do investimento nessas e outras questões, e que será levado à Assembleia Legislativa do Estado. O protesto também reuniu diferentes organizações contrárias à retirada de direitos sociais e trabalhistas e pediu #ForaTemer!