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Ceará: Mulheres estão unidas e vão às ruas no dia 29/9 em atos contra o fascismo

Em Fortaleza, percurso terá início na Praia de Iracema e encerra com parada cultural no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Mais de 20 outras cidades em todas as regiões do estado também confirmaram atos

Publicado: 27 Setembro, 2018 - 20h42 | Última modificação: 01 Outubro, 2018 - 14h32

Escrito por: Assessoria de Comunicação da CUT-CE (*)

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A pouco mais de duas semanas para o primeiro turno das Eleições 2018, o movimento Mulheres Unidas Contra Bolsonaro (MUCB) e que começou nas redes sociais já mobiliza 2,6 milhões de participantes no Facebook. Estima-se que sejam muitas mais. O grupo agigantou-se e promete ocupar ruas, avenidas e espaços públicos de várias cidades brasileiras e do exterior. No Ceará não será diferente. O principal ato no estado ocorrerá em Fortaleza, marcado para concentrar-se na Praia de Iracema, a partir das 15 horas na altura da “Praia dos Crush”. mais de 20 outras cidades em todas as regiões do estado também confirmaram atos.

 
“É importante que as mulheres do Brasil estejam unidas nesse sábado. Não é uma luta individual nem partidária. É um ato contra o fascismo traduzido por uma candidatura que pode intensificar ainda mais os retrocessos na vida e nas liberdades femininas”, afirma a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-CE, Ozaneide de Paulo. A dirigente enfatiza a relevância histórica dessa manifestação, “principalmente diante do quadro atual, de disseminação do fascismo da intolerância e do conservadorismo”. Para Ozaneide, o ato ainda protagoniza o lugar de fala das mulheres: “Queremos ser livres e viver de forma saudável. E ser livre é ter direito a voz e a nos sentirmos representadas”.

 
Contra o fascismo iminente e o estado de constante ameaça, pelas conquistas alcançadas e pelo avanço e consolidação da democracia no Brasil, as mulheres definem, em uníssono: #EleNao #EleNunca #EleJamais. Na capital cearense, o percurso do sábado vai ser pelas ruas da Praia de Iracema em direção à Praça Almirante Saldanha (onde se localiza o Café Avião), no entorno do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CDMAC), onde haverá uma parada cultural. Diversas apresentações e intervenções artísticas também estão previstas.

A Parada Cultural Antifascista tem previsão de se inicar às 15 horas, com apresentação de DJs, performances e intervenções artísticas. Aliadas às apresentações, o momento protagonizado por mulheres será de denúncia. Estão previstas falas como: leitura do manifesto de ex-presas políticas da ditadura civil e militar; mulheres indígenas; mulheres do terreiro; mulheres da capoeira; e ainda falas das mães da maior chacina da história de Fortaleza e que está prestes a completar 3 anos - conhecida como Chacina do Curió.

A Defensoria Pública Geral do Estado do Ceará e o Grupo de Ações Integradas de apoio aos eventos promovidos por Movimentos Sociais (GAI) já anunciou suporte as manifestações de amanhã no estado. Em caso de violação de direitos durante as manifestações, entre em contato com a Defensoria Pública: (85) 9 8878.8483.

 

Mulheres nas eleições e nas redes

Segundo dados do Cadastro Eleitoral, a maior parte do eleitorado brasileiro pertence ao gênero feminino. Ao todo, são 77.337.918 eleitoras, o que representa 52,5% do total. Elas são a maioria e também a maior rejeição ao candidato de extrema direita. De acordo com a última pesquisa Datafolha, 49% das mulheres afirmam que não votariam nele “de jeito nenhum”.

As hashtags #elenão #elenunca #elejamais ocupam os Trending Topics do Twitter e devem ecoar num grito uníssono numa manifestação plural, que reúne mulheres de toda sorte e idades. De várias classes sociais e de categorias profissionais. Homens serão bem-vindos à luta protagonizada por elas, desde que desejem ver o Brasil avançando nas conquistas democráticas e não aceitem retrocessos.

 

O Movimento Mulheres Unidas Contra Bolsonaro no Ceará também listou algumas de uma série de razões explicando o porquê da necessidade de se partir para as ruas nesse momento:   

Por que ir às ruas ?

A lista de razões do público feminino contra o militar reformado de ultradireita não para de crescer. O episódio mais recente envolveu seu companheiro de chapa, candidato a vice, Hamilton  Mourão  (PRTB). Na segunda-feira (17/9), o general da reserva disse que famílias pobres sem pai e avô, só com mãe e avó, são “fábricas de desajustados”, que fornecem mão de obra ao narcotráfico. Antes disso, são diversas as manifestações machistas e misóginas.

É de Bolsonaro a frase: “Eu tenho cinco filhos. Foram quatro homens; a quinta eu dei uma fraquejada e veio uma mulher”. Em uma entrevista ao Zero Hora, publicada em 2014 e ainda disponível no site do jornal, o capitão disse que não achava injusto uma mulher ganhar menos do que o homem para a mesma função, pois mulher engravida e tem licença maternidade. “É uma desgraça você ser patrão no nosso país, com tantos direitos trabalhistas... Eu sou um liberal, se eu quero empregar na minha empresa você ganhando 2 mil reais por mês e a Dona Maria ganhando mil e quinhentos reais, se a Dona Maria não quiser ganhar isso, que procure outro emprego! Se você acha que também não tá ganhando, que procure outro emprego. Eu que estou pagando, o patrão sou eu”, afirmou à época.

Matéria da revista Valor Econômico, publicada no último dia 30 de agosto, mostrou que seu gabinete em Brasília e seu escritório parlamentar no Rio de Janeiro pagam salários menores às mulheres que aos homens. As funcionárias contratadas pelo militar recebem, em média, 31% menos que os vencimentos dos colegas do sexo masculino.  

O candidato do PSL também é réu de uma ação penal movida a partir de um episódio envolvendo a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), na qual ele responde pelo crime de incitação ao estupro. Em 2014, Bolsonaro disse à deputada que não a estupraria porque “ela não merece” por considerá-la “muito feia”, ao rebater um discurso feito pela petista no plenário da Câmara. Na ocasião, Rosário defendia a Comissão da Verdade e as investigações dos crimes da ditadura militar. 

Ao programa CQC, da Band, em 2011, o candidato afirmou que não corria o risco de ter uma nora negra porque os filhos foram “muito bem educados”.  Acrescente a tudo isso, a admiração, manifestada orgulhosa e publicamente pelo deputado federal em diversas ocasiões, pelo Coronel Brilhante Ustra, que torturou perversamente diversas mulheres durante o regime militar no País.

É por estas e tantas outras razões, que no dia 29, as mulheres percorrerão diversos territórios, tanto no Brasil, como em outros países, para dizer um NÃO ao fascismo e à barbárie. O ato é, acima de tudo, um protesto, e um clamor por uma maior participação das mulheres na política. Vamos juntas!

 

APOIO INTERNACIONAL

A campanha #EleNão também ganhou adesão internacional e virou #NotHim, atraindo a solidariedade de mulheres de vários país do mundo. Uma dos responsáveis pela disseminação do #NotHim é a BBC, do Reino Unido, que fez uma longa matéria explicando as razões da mulheres brasileiros e ouvindo celebridades. Outros jornais como The Guardian e Bloomberg também noticiaram a campanha brasileira que mobiliza artistas dentro e fora do país. 

#EleNao

#EleNunca

#EleJamais

(*) Com informações do Movimento Mulheres Unidas Contra Bolsonaro

Confira abaixo a relação das cidades cearenses onde já há atos confirmados até a tarde desta sexta-feira (28/9). A lista de cidades onde ocorrerão atos vai ser acrescentada a medida que forem se confirmando novos atos.


 

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