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Sindiute promove ato contra retorno das aulas presenciais em Fortaleza

De acordo com o Sindicato, não há possibilidade de retorno. A Secretaria Municipal da Educação, entretanto, afirma que ainda não há data definida para o retorno

Publicado: 25 Setembro, 2020 - 14h33 | Última modificação: 25 Setembro, 2020 - 14h42

Escrito por: Jornal O Povo

Sindiute
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Profissionais da educação se reuniram nesta sexta-feira, 25, em frente ao Paço Municipal para protestar contra o retorno às aulas, especialmente no município de Fortaleza. Organizado pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação do Ceará (Sindiute), eles afirmam que as escolas não têm condições para o retorno, por questões estruturais. Eles avaliam ainda que, pelo cronograma, as aulas teriam apenas um breve período de aulas presenciais neste semestre letivo. A Secretaria Municipal da Educação (SME) ressalta que ainda não há data definida para o retorno.

O ato, intitulado "morte anunciada", simboliza as possíveis mortes que podem acontecer com a retomada da aulas. " As pessoas não conseguem visualizar as mortes, as vidas humanas que serão perdidas. Queremos simbolizar isso", explica a presidente do sindicato, Ana Cristina Fonseca Guilherme da Silva. Ela afirma que, ao estudar o tempo letivo restante, os alunos teriam apenas pouco mais de um mês, 40 dias de aulas presenciais. Ainda de acordo com a sindicalista, se implementado o sistema híbrido, em que os estudantes fazem alternância na ida à escola, o número de dias cai pela metade. "São 20 dias de aula. Não vale as vidas, não vale o risco", ressalta.

A Secretaria Municipal da Educação (SME) informou, em comunicado oficial, que ainda não há uma data definida para o retorno presencial das aulas na rede municipal de ensino de Fortaleza. A pasta acrescenta que, quando houver esse indicativo de data, o Comitê Municipal será acionado. O grupo é composto por representantes da categoria de profissionais da educação, comunidade escolar e pais de alunos, para discutir as estratégias de retomada.

Ana Cristina comenta que, mesmo com só algumas turmas presenciais, seria inviável manter um número inferior a 100 alunos, bem como lidar com estruturas em escolas menores, o que, na prática, dificultaria a aplicação do distanciamento. "Escola é um espaço de aglomeração. Em todas as escolas, é muito mais que 100 pessoas. Temos que entender também que teremos crianças do infantil, geralmente assintomáticas, e vão colocar em risco os professores e os pais", afirma.

A presidente ressalta também que, embora todos os professores devam ser testados, nem todos os alunos passarão pelo processo, a ser feito por amostra, com apenas uma parcela dos estudantes. Segundo ela, isso gera um quadro de incerteza e risco para os profissionais da Educação. Questões sociais também foram apontadas. "Na escola particular, os pais vão deixar as crianças na escola com meios de transporte. Na escola pública, eles geralmente vêm a pé. Imagina a criança chegar com a temperatura mais alta e a gente não deixar entrar[...]Se for em sistema híbrido, o pais vão deixar, mas não pode entrar porque não é o dia. Eles não tem com quem deixar", ressalta. 

Segundo Ana Cristina, caso haja a continuidade da postura de retorno das aulas, os sindicatos não descartam a ocorrência de uma greve e a manutenção do ensino à distância.

Em reunião nesta quarta-feira, 23, a Secretaria de Educação do Estado do Ceará (Seduc) apresentou os critérios para retorno às atividades presenciais das escolas estaduais. As instituições devem apresentar a infraestrutura adequada, além de possuir Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para alunos e funcionários, bem como devem estar aptas quanto ao cumprimento das normas de segurança sanitária estabelecidas no Procolo 18 – Atividades Educacionais, divulgado pelo Governo do Ceará. Todos os profissionais devem realizar o exame para Covid-19 e uma consulta pública deve ser executada com estudantes para avaliar o interesse pelo retorno.

Segundo o Decreto Governamental Nº 33.742, anunciado no sábado, 19, fica autorizado, a partir de 1º de outubro, uma fase de transição para a retomada da educação para os 44 municípios da Região de Saúde de Fortaleza. Na rede pública estadual, apenas as turmas da 3ª série do ensino médio e educação profissional, com 35% de capacidade, poderão voltar. Já na rede privada, as aulas presenciais foram autorizadas para 1º, 2º e 9º ano do ensino fundamental; 3ª série do ensino médio (inclusive a integrada com ensino profissional); e Educação de Jovens e Adultos (EJA), com até 35% da capacidade. Educação infantil das redes pública e privada, é autorizada com 50% da capacidade.